BENKE

Sejam muito bem vindos!

BENKE.
Canção de Milton Nascimento e Márcio Borges. Nome de um curumim do povo Kampa e que eles dedicam a todos os curumins de todas as etnias do mundo.

BENKE BLOG é um espaço para manifestar a Vida através da arte, reflexão, educação, música, poesia e aprendizado interétnico.



domingo, 18 de julho de 2010

Um tear de textos



"Contando susto
Armando a cena
Velando vela
Constante chama
Vertendo fogo
A água apaga
Derramando o barco
Encharcando a sala."


........


"Ponto, reconto
Linha tempo
Encanto
Lago,colo
Escuta vozes
Tempo, reencontro
Ponto, linha
No vento."


.......


"Palavras, tantas
Caminhos tortos
Cria tonteiras
Tecidos molhados
Sonhos plantados
Lágrimas doídas
Rugas tecidas
Solo lavrado."


Angela Hofmann, em 17/07/2010.

Poesias escritas por mim durante o Curso de Literatura Infanto-Juvenil nas múltiplas linguagens Ano III, Módulo 5 "Um tear de textos", com a especialista em literatura e psicanálise, Ninfa Parreiras. Editora Paulinas, Porto Alegre - RS.
Sábado, dia 17 de julho de 2010.



segunda-feira, 3 de maio de 2010

Quantos nomes houver


Maternidade. Obra de Pablo Picasso

Mãe
Madona
Mother

tantos quantos forem os nomes
as formas de te chamar
será como da primeira vez
aquele grito, gemido quase ganido
apelo, chamego, querer
ou que seja
apenas um chamado
aquele primeiro que foi
que te identifiquei como ser que me chamou de amor

Angela, para Odete
S2

sábado, 1 de maio de 2010

Minotauro, Medo e compreensão



Na cegueira do dia
Olhos nas mãos
Toca o insano
Sem ser tocado
Insano eu
Aceito e vou
Insanos nós
Sob o sol da aceitação

Obra de Pablo Picasso


Ariadne

Fio
Flores
Vela

Guia
Inocência
Luz

Os instintos que me cegam
Crianças na praia
Madrigais

Chega o tempo da compreensão
O insano sou eu
O fio são



Somos de Minos


Obra de Pablo Picasso


Horror
Espelho
Terror
Inato
Visível na noite

Inocência
Pequena chama
Alude e volta
Integração
Humano
Animal
Eu Minotauro


Em homenagem à Rolando Toro, criador do Sistema Biodanza e Projeto Minotauro

e a meu pai, Azeredo Hofmann, que enxergou Ariadne em mim.


Angela Ariadne Hofmann.
Esteio, 01 de maio de 2010.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Tudo que move é sagrado

Amor de Índio


Está dado
Como já declarado
Mas como me instiga
torno claro
meu amado
Dorso de estrelas
adornado
Manu
Ariadne


Amor de Índio

Tudo que move é sagrado
e remove as montanhas com todo o cuidado, meu amor.

Enquanto a chama arder, todo dia te ver passar
tudo viver a teu lado
com o arco da promessa
no azul pintado pra durar.

Abelha fazendo o mel vale o tempo que não voou
A estrela caiu do céu, o pedido que se pensou

O destino que se cumpriu de sentir seu calor e ser todo Todo dia é de viver para ser o que for e ser tudo


Sim, todo amor é sagrado
e o fruto do trabalho é mais que sagrado, meu amor.

A massa que faz o pão vale a luz do seu suor
Lembra que o sono é sagrado
e alimenta de horizontes
o tempo acordado de viver.

No inverno te proteger, no verão sair pra pescar
no outono te conhecer, primavera poder gostar

No estio me derreter pra na chuva dançar e andar junto
O destino que se cumpriu de sentir seu calor e ser todo

De: Beto Guedes e Ronaldo Bastos


segunda-feira, 26 de abril de 2010

Manuel, o Audaz



Manuel Estivalet,
meu amor
pra ti essa canção tão linda que muito curti,
e que te traz hoje...

Angela




"Manuel, O Audaz."

Música: Toninho Horta e Fernando Brant
Intérprete: Lô Borges e Toninho Horta

Se já nem sei
O meu nome
Se eu já não sei parar
Viajar é mais, eu vejo mais
A rua, luz, estrada, pó
O jipe amarelou

Manuel, o audaz
Manuel, o audaz
Manuel, o audaz
Vamos lá viajar

E no ar livre, corpo livre
Aprender ou mais tentar

Manuel, o audaz
Manuel, o audaz
Iremos tentar
Vamos aprender, vamos lá

Manuel, o audaz
Vamos lá viajar

E no ar livre, corpo livre
Aprender ou mais tentar

Manuel, o audaz
Manuel, o audaz
Iremos tentar
Vamos aprender, vamos lá




O jipe Manuel, o Audaz, de Toninho Horta com a turma de músicos, alguns do Clube da esquina. Anos 70, Minas gerais.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Rolando Toro em imagens homenagens

Uma homenagem à Rolando Toro através das imagens da fotógrafa Valú Ribeiro.

domingo, 4 de abril de 2010

A respiração da Terra

Vídeo do Greenpeace
A terra é nossa Mãe,
Mulher
Ser
Viva
Somos filhos
Seres vivos com Ela
Por ela
Grande Deusa Mãe


http://www.greenpeace.org/international/campaigns/oceans/marine-reserves/roadmap-to-recovery

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Última entrevista de Rolando Toro, fev 2010

"Criador da Biodanza, a Dança da Vida, o psicólogo chileno Rolando Toro nos fala porque o desenvolvimento da afetividade e do amor é o grande desafio deste século."



Vejam a entrevista com Rolando Toro no artigo "O Mestre do Afeto" na Revista Bons Fluidos, ed. de fevereiro de 2010, mês de seu falecimento, no link:

http://bonsfluidos.abril.com.br/livre/edicoes/0131/05/o-mestre-do-afeto-01.shtml

Abaixo pequeno trecho...





segunda-feira, 29 de março de 2010

Meus cavalos soltos


Se os teus cabelos soltos
Fogem do meu olhar
Solto os cavalos ao vento
Descendo a serra até o mar

Mas se me fogem soltos os teus cabelos
O meu olhar varre o céu
De tanto andar
Vai te tocar
E puxar o véu.

Angela, 1992.

Para Manuel





sábado, 13 de março de 2010

Antíope mira-se no espelho



"Antíope"

Com sabedoria ao andar,
Cantando, seja você
Passar o tempo sendo história,
Caminhando pela humanidade
Vento que, em delicadeza de percepção sutil,
Sacode nossa cabeleira...

Vem esmaecer sentimentos envelhecidos
E abrir a arca de Pandora
Assumes os riscos do sim e do não

Delicada amazona das palavras e das fronteiras
Uma rosa no peito
Bracelete de couro
Rédeas embebidas de devaneios
Teus cavalos soltos na tempestade são corcéis
São ruptura e paixão.

Angela Hofmann

Dedicada à Prof.ª Dr.ª,
Beatriz Daudt Fischer, orientadora de minha dissertação de Mestrado em Educação, em 2004 .



sábado, 6 de março de 2010

O sentir feminino... o barco, o rio, a senhora, o desejo, a fuga, o destino

http://www.johnwilliamwaterhouse.com/pictures/lady-of-shalott-1888/


A Senhora do Barco Vazio


(The Lady of Shalott)


(Como falar do que não sei ainda em vida?)
(Como soprar em teus ouvidos sobre a morte, minha amiga?)

Estou só como uma ave
Que segue à procura do bando
Sozinha rumo à Camelot

Assim sigo
Sozinha no meu barco

Secretos amores em secretas folhas
Desenham e se vão
perante a senhora do barco vazio

Mais que a força da manhã
errante

A senhora do barco vazio

Na primeira parada do rio
Quase chegando
Rumo à terra do deus (Camelot)

Tudo o que uma mulher pode saber
Se esvai no vento
e decanta nas paredes da casa

Como explicar o que é a vida aqui?
Sigo a música da terra do Deus

Tudo o que poderia mais saber
Tudo o que vou buscar
para onde esse rio levará
No rumo sem prumo da embarcação

Rondando Camelot

A ciência da terra da Deusa
A canção de rompimento
.

Angela Hofmann, 12/10/04.

Poesia inspirada na obra de arte de John Waterhouse
e escrita a partir da audição da balada interpretada por Loreena Mckenitt,
"The Lady of Shalott", sem conhecimento da tradução do poema.

12 de outubro de 2004, dia inspirador.
Várias poesias nasceram neste dia e estão,
algumas delas, publicadas em Benke.


"The Lady of Shalott" é um poema vitoriano ou balada Inglesa, escrita pelo poeta Alfred Tennyson (1809-1892). Como seus outros primeiros poemas "Sir Lancelot e Guinevere Queen" e "Galahad", o poema reformula o assunto Arthuriano, vagamente baseado em fontes medievais. Abaixo está apenas um trecho da balada, cantada por Loreena McKennitt, com sua bela voz.





"The Lady of Shalott"

By Alfred Lord Tennyson (1843)

On either side the river lie
Long fields of barley and of rye,
That clothe the wold and meet the sky;
And thro' the field the road run by
To many-towered Camelot;
And up and down the people go,
Gazing where the lilies blow
Round an island there below,
The island of Shalott.

Willows whiten, aspens quiver,
Little breezes dusk and shiver
Thro' the wave that runs for ever
By the island in the river
Flowing down to Camelot.
Four grey walls, and four grey towers,
Overlook a space of flowers,
And the silent isle imbowers
The Lady of Shalott.

Only reapers, reaping early,
In among the beared barley
Hear a song that echoes cheerly
From the river winding clearly;
Down to tower'd Camelot;
And by the moon the reaper weary,
Piling sheaves in uplands airy,
Listening, whispers ''tis the fairy
The Lady of Shalott.

There she weaves by night and day
A magic web with colours gay.
She has heard a whisper say,
A curse is on her if she stay
To look down to Camelot.
She knows not what the curse may be,
And so she weaveth steadily,
And little other care heat she,
The Lady of Shalott.

And moving through a mirror clear
That hangs before her all the year,
Shadows of the world appear.
There she sees the highway near
Winding down to Camelot;
And sometimes thro' the mirror blue
The knights come riding two and two.
She hath no loyal Knight and true,
The Lady of Shalott.

But in her web she still delights
To weave the mirror's magic sights,
For often thro' the silent nights
A funeral, with plumes and lights
And music, went to Camelot;
Or when the Moon was overhead,
Came two young lovers lately wed.
'I am half sick of shadows,' said
The Lady of Shalott.

A bow-shot from her bower-eaves,
He rode between the barley sheaves,
The sun came dazzling thro' the leaves,
And flamed upon the brazen greaves
Of bold Sir Lancelot.
A red-cross knight for ever kneel'd
To a lady in his shield,
That sparkled on the yellow field,
Beside remote Shalott.

His broad clear brow in sunlight glow'd;
On burnish'd hooves his war-horse trode;
From underneath his helmet flow'd
His coal-black curls as on he rode,
As he rode down to Camelot.
From the bank and from the river
He flashed into the crystal mirror,
'Tirra lirra,' by the river
Sang Sir Lancelot.

She left the web, she left the loom,
She made three paces thro' the room,
She saw the helmet and the plume,
She look'd down to Camelot.
Out flew the web and floated wide;
The mirror crack'd from side to side;
'The curse is come upon me,' cried
The Lady of Shalott.

In the stormy east-wind straining,
The pale yellow woods were waning,
The broad stream in his banks complaining.
Heavily the low sky raining
Over tower'd Camelot;
Down she came and found a boat
Beneath a willow left afloat,
And around about the prow she wrote
The Lady of Shalott.

And down the river's dim expanse
Like some bold seer in a trance,
Seeing all his own mischance -
With a glassy countenance
Did she look to Camelot.
And at the closing of the day
She loosed the chain, and down she lay;
The broad stream bore her far away,
The Lady of Shalott.

Heard a carol, mournful, holy,
Chanted loudly, chanted lowly,
Till her blood was frozen slowly,
And her eyes were darkened wholly,
Turn'd to tower'd Camelot.
For ere she reach'd upon the tide
The first house by the water-side,
Singing in her song she died,
The Lady of Shalott.

Under tower and balcony,
By garden-wall and gallery,
A gleaming shape she floated by,
Dead-pale between the houses high,
Silent into Camelot.
Out upon the wharfs they came,
Knight and Burgher, Lord and Dame,
And around the prow they read her name,
The Lady of Shalott.

Who is this? And what is here?
And in the lighted palace near
Died the sound of royal cheer;
And they crossed themselves for fear,
All the Knights at Camelot;
But Lancelot mused a little space
He said, "she has a lovely face;
God in his mercy lend her grace,
The Lady of Shalott."


segunda-feira, 1 de março de 2010

Prostração


Ave Lama

Uma ave riscou o céu
azul, encarnado, lilás
uma ave apontou o céu
nirvana, além-territórios, terra pura

O farfalhar das asas,
Conversa ao pé-do-ouvido
Asas longas que tocam longe
Asas precisas,
Pausa e harmonia

Eu escuto a ave
A ave ensina
Em seu silêncio, silencio
Em seu amor me precipito
Na entrega, um precipício
Princípio e fim
Ilusão
Carma
Virtudes
Dharma.

Angela Hofmann


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Carne e Osso. By Zélia Duncan




Carne e Osso

Interpretação: Zélia Duncan
Composição: Moska e Zélia Duncan

Alegria do pecado às vezes toma conta de mim
E é tão bom não ser divina
Me cobrir de humanidade me fascina
E me aproxima do céu

E eu gosto de estar na terra cada vez mais
Minha boca se abre e espera
O direito ainda que profano
Do mundo ser sempre mais humano

Perfeição demais me agita os instintos
Quem se diz muito perfeito
Na certa encontrou um jeito insosso
Pra não ser de carne e osso, pra não ser carne e osso

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Dona do Dom

A música que não quer calar dentro de minha cabeça...
o que será? Então eu posto pra consagrá-la dentro e afora de mim
Nuvem, carvão, poeira
terra, força e magia.


Dona Do Dom

Interpretação: Maria Bethânia
Composição: Chico César

Dona do dom que Deus me deu
Sei que é ele a mim que me possui
E as pedras do que sou dilui
E eleva em nuvens de poeira
Mesmo que às vezes eu não queira
Me faz sempre ser o que sou e fui
Eu quero, quero, quero, quero ser sim
Esse serafim de procissão do interior
Com as asas de isopor
E as sandálias gastas como gestos de um pastor

Presa do dom que Deus me pôs
Sei que é ele a mim que me liberta
E sopra a vida quando as horas mortas
Homens e mulheres vêm sofrer de alegria
Gim, fumaça, dor, microfonia
E ainda me faz ser o que sem ele não seria
Eu quero, quero, quero, é claro que sim
Iluminar o escuro com meu bustiê carmim
Mesmo quando choro
E adivinho que é esse o meu fim

Plena do dom que Deus me deu
Sei que é ele a mim que me ausenta
E quando nada do que eu sou canta
E o silêncio cava grotas tão profundas
Pois mesmo aí na pedra ainda
Ele me faz ser o que em mim nunca se finda
Eu quero, quero, quero, quero ser sim
Essa ave frágil que avoa no sertão
O oco do bambu
Apito do acaso
A flauta da imensidão

Poeta do Fogo e da emancipação

Atención a lo más precioso

Rolando Toro


Lo más precioso
sostiene nuestra vida
la eleva y la conduce

Alerta máximo
para lo más precioso

El barco arrastrado por el huracán
se despedaza contra el arrecife
allá en el infinito, en el adiós

Cada cual conoce el movimiento puro

!Alerta, Rolando!
!Alerta máximo para lo más precioso!

(Estuve muchas veces dormido para ti.
Dormido para tu ojos solitarios)

Había una esmeralda en el río ...
y es un recuerdo ...
No está lo más precioso en el jardín de las Hespérides
Lo más precioso está en tu piel
que esplende manzanos en flor.
Este momento
en el corazón del invierno es precioso
Este momento, juntos
bajo la cúpula del relámpago.

Alerta a los detalles esenciales
al temblor e tu voz
hecha de silencio y lluvia
a ti necessidad de transformarte en fruto de amor

TORO, Rolando. Atención a los más precioso. In: EXTASIS DEL RENACIDO. Caracas: Ed.Galac, 1995, p. 53.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Poeta da Terra, Poeta das estrelas

Estamos juntos

Rolando Toro

No comprendí lo que querías decirme
cuando te despediste
en la puerta de mi casa
"Hay algo que no pudo formular en
palabras...
Soy parte de ti, me estoy poniendo vieja"
En ese momento no comprendí
Pero yo sé
(siempre lo supe)
que somos dos viajeros
en el mismo
destartalado ómnibus
del universo.

TORO, Rolando. Estamos juntos. In: EXTASIS DEL RENACIDO. Caracas: Ed.Galac, 1995, p.16.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Viva Rolando Toro!!!!

Ensaiando um novo mundo
Frutificando por entre pedras
Sonhando astronaves
Assim é Rolando

Mãos dadas
A certeza de ser quem se é
A pureza do gesto
O olhar genuíno
Criança, Rolando.

Angela Hofmann

Uma homenagem ao nosso tão querido Rolando Toro, criador do Sistema Biodanza, que prepara, agora em outras esferas, novos planos para quando chegar a hora... !!!!
Estaremos juntos outra vez?

Estivemos, estamos e estaremos juntos!


Obrigada, Rolando!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Ossain mira-se no espelho: mãos curadoras

Ossain encontra morada nas mãos das professoras e crianças


EMEF Timbaúva, espiral de ervas.

O enigma em mim (Protetores originais)

Que índia será essa que ele chamou?
É Jurema, a cabocla da selvas?
Ou, mais além, vamos encontrar
O espírito de minha protetora silvícola
Brejeira, guiando por cima de meus ombros
Olhando e fazendo a festa com os Guaraní e os Aimorés
De onde és, minha irmã?
Minha açucena da manhã
Minha ave noturna
Meus olhos em meio à multidão
Meu sim e meu não
Andas de mãos dadas com meu anjo azul
Um mais doce, e você das ervas,
Vejo-os bem
Vejo querença
Vejo tudo que uma mortal não vê,
Percebo essa coisa boa
Essa vida que vocês me insuflam
A cada vez que acredito que estou a perdê-la.
Minha força: vocês, sou eu.
Angela, 12/10/04
.
Rincão Gaia, Pantano Grande-RS. Horta de cenouras.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Oxum mira-se no espelho de todas as mulheres

Mamãe Oxum refletida em muitas faces femininas
Para quem verá Mamãe Oxum um dia

Eu vi Mamãe-Oxum na cachoeira
Eu vi e estava lá apenas eu sozinha com ela
Ela me ensinando sem me fitar nos olhos
Ela me pondo a vida na bandeja de forma tão simples
Para eu acreditar como é fácil ser mulher
E ser uma mãe como ela.

Eu vi Mamãe-Oxum na cachoeira
Preparando a sua rede de peixes para preparar o jantar
Me convidou e sentei na sua frente...
Envolvida por seu enorme colo
A mãe me ensinou como é que faz para ser mamãe como ela.

Eu vi Mamãe-Oxum na cachoeira e ela fitou nos meus olhos
Através de seu espelho perolado
Do mais fino manjar do fundo do mar

Seu espelho dizia que meu tempo chegava
Que o rio penetrava na alma de uma mulher só
E era eu ali, assim na sua frente, ouvindo de sua sabedoria.

Eu vi Mamãe-Oxum na cachoeira e ela deu de mamar a seus filhos
Deu de seu leite quente
De seus seios na medida certa para a sua fome

Assim ela me mostrou de como é feito o amor.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

IANSÃ mira-se no espelho: Maria Bethânia

A minha proteção vem de você
Poesia inspirada em Iansã,
Espelho na mulher Maria Bethânia

"Dona do Dom, que Deus me deu
Sei que é ele a mim que me possui"


http://www.terra.com.br/istoegente/edicoes/512/artigo143001-1.htm

A minha proteção vem de você

Eu vi quando passou a mudança

Mudança de tempo

Mudança de rumo

Mudança de viagem


Mudança de casa

Mudança de caminhão

Ela mudou, foi de avião

A Mu-dança


E um certo Um, dança.

Vai, vou

Vamos juntas e juntos por aí

Mudança na certa vai acontecer


Mudança de tempo, mudança nos tempos

Mudança, viração, já diria minha tia

Avisando que Iansã é dona

De territórios nessa tarde de verão


Epahey, minha Iansã!, minha deusa

Minha Santa Bárbara

Não protegei-me dessa agressão

Quero seus arreios de vento


E que venha com bastante força

Quero sumir nessa visagem de poeira e solidão

A viração que se espera

A menina que nela fez morada pelos tempos sem-fim.

Angela, 12/10/04

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Distância


Do sonho molhado da chuva
Colho promessas dos lábios
E aquela maior que ficou na estrada
Vou regar com o olho que chora.
Sigo olhando pra o céu
À noite, tempestade de luz
E no dia que se espera,
Nuvens carregadas,
Promessas d'água.


Angela Hofmann, 03/12/91


Publicado em :

MACHADO, Jauri. (Org.). Capoetar I - Coletânea Poética da Casa do Poeta Esteiense. Porto Alegre, 1993, v. 1, p. 17-18.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Escutando o oceano

O beijo submerso
Águas no lago inconsciente
Fotografias perdidas no baú
Não as reconheço
Estou na boca do vulcão
Nos montes verdes
Garrafas de vidro sobre as pedras
Aprendendo a conviver com a escuridão
Para fora trouxe o escuro
E o claro pôde penetrar
Memórias de dias na beira do mar
Atirados nas águas
Escutando o oceano
Imersos no suave
E visível amor.

Angela, 1995.

CRIANÇANDO


Poeminhas desengavetados de uma professora
Angela Hofmann, 1990/2004


Dulces


Crianças despertas
É cedo
Crianças tri a fim de algo mais
Misturar, agitar
Acalmar

Satisfazer
impulsionar
Aventurar pelas manhãs assim
Saber conduzir!

.......................................................

Horizontes

Nave de sol
Barco de Mar
Pedal de ilusão
Um trem pra voar

.........................................................



Roda ciranda

"Fui na Bahia buscar chapéu
Da cor da lua
Da cor do céu
Não é pra mim
Não é pra ninguém
É pra morena que que eu quero bem!"

Vem daqui
Que eu vou de lá
Venha, venha,
Morena de manacá

Que belo que você veio
Que bacana de ter vindo
A festança começa agora
E só termina no domingo

Tico-tico no galho
Goaiba no pé
Ausência é que nem falta:
Mata, ué!




............................................

Infância

Jóia da mais rara
Olhos perolados de mel
Presentes, saltitantes
Desejosos

O mais louro cacho
Na face, maciez de romã
Na mais pequenina boca
Menina-maçã

Pitangas, laranja-do-céu
Limãozinhos
Pêssego, amora e açaí
Coquinho e pãozinho- de-mel

Todos me dão o teu sabor
Gata do mato!

........................................


Cri-ação na Rosa dos Ventos

Criar em espaço aberto
Nada, grão, aparente, sem solução
Prá começar, desinventa-se a conclusão
E junta-se o grão
No que ele pode se transformar?
Farinha, pão...?
Qual farinha? Qual pão?
Às vezes, desilusão
Porque da massa pode nascer o pão
Às vezes sim, às vezes não...
Se for não, o que fazer, então?
De outro jeito...
Como?
De outra forma (fôrma?)
Embora, por outro lado...
Pelo lado de dentro
Pelo lado de fora
Uno daqui, tiro de lá
Transgrido conceitos
Do que era o esperado
...
Aquilo que estamos acostumados a ver...
Aquilo que não se vê...
O quê, procurando, pode-se perceber?!

......................................................




Criança, eu e o encontro

Tu és
Como uma flor já aberta
Às vezes tímida em botão
Às vezes arrancada antes do tempo de florescer

Criança, eu quero te dizer que
Tu és uma fonte de minha procura
Me desafia a lidar com as coisas duras do dia-a-dia
E tentar eu mesma me mudar

Tu és
Alguém que me faz perguntar, que faz me repensar
Que me tira do costumeiro
"Quero saber para melhor sentir,
Sentir para melhor saber."

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

BIODANZA no Fórum Social Mundial, 1ª edição do Forinho. Porto Alegre, 29 de janeiro de 2010.


O Forinho, organizado pela ONG Cataventus, promoveu várias oficinas voltadas ao público infantil durante o Fórum Social Mundial em janeiro de 2010, na cidade de Porto Alegre.
A oficina de Biodanza, ministrada por Angela Ariadne Hofmann, ofereceu vivências e dinâmicas de grupo através de brincadeiras, movimentos expressivos e de deslocamento no espaço com o grupo. Com o objetivo de desenvolver a autopercepção, comunicação e integração de cada criança consigo mesma, com o outro e com o meio, buscou uma maior sensibilização e vinculação aos valores éticos e afetivos, primando pelos princípios da compaixão e do cuidado. Teve como tema o círculo mágico, a roda da magia que é o Mundo e o que imaginamos e criamos dentro dele.


Veja os slides abaixo, podendo clicar nas fotos, ampliando-as e visualizando as legendas no meu álbum do Picasa.


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Valkíria

Na inspiração do dia de hoje, tiro uma primeira poesia da pasta
e a pasta da gaveta.



"Na luminária da mata, força que vem e renova"


Valkíria


Flor da atração
Do sim e do sei não
Da entrega e do rumor

Flor da criação

do amor mais profundo

Eu sei que estás agora aqui

Mulher imemorável

das tribos marcadas

Latentes em corpos desesperados

Mais puro ritual e celebração

Glória, mulher das aldeias

A grande amante
A grande mãe
A grande senhora.

Angela, meados de 1990.

Benke


Canção de Milton Nascimento e Márcio Borges. Nome de um curumim do povo Kampa e que eles dedicam a todos os curumins de todas as etnias do mundo.


Eu que amo essa canção tão profundamente cantada por Milton, percebo que ela cala forte em minh'alma provocando-me a "trabalhar e abrir os olhos", luzir alegria como o beija-flor, e trazer da mata a mais profunda inspiração para o ser.

Para inaugurar 2010 e este blog, a força que vem e renova. Sinto assim.


Para não esquecer
para lembrar
todo tempo é tempo
de a gente viver e fazer viver
Como diz a letra da canção:


"Beija-flor me chamou: olha
Lua branca chegou na hora
O Beija-Mar me deu prova:
Uma estrela bem nova
Na luminária da mata
Força que vem e renova
(...)
Beija-Flor me mandou embora
Trabalhar e abrir os olhos (...)"